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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Centenário de Vinicius de Moraes



Em 2013, o centenário de Vinicius de Moraes. O poeta coloquial, o Poetinha, apelido que gostava, mas que foi dos grandes de nossa poesia moderna, um lírico inovador. A incursão pelo cancioneiro fez dele, o mais popular dos modernos. A simpatia pela cultura e causas populares, somadas a uma vida boêmia e intensamente romântica, custou-lhe a cassação da carreira diplomática. A ditadura que emergiu do moralismo hipócrita udenista e os seguidores de marchas do reacionarismo carola não admitiam o poeta "devasso", de tantos casamentos - como se devassos procurassem casamento - e o acusaram de desídia nas suas funções públicas. São poucos, o Barão e mais alguns, que projetaram uma imagem externa tão positiva do Brasil, no exercício da diplomacia, imagem que a ditadura enegrecia. Fez isso abandonando os salões, frequentando gloriosos pés-sujos e cantando as coisas mais lindas que via passar.


Quem foi Vinicius de Moraes?
O biógrafo de Vinicius, José Castello, autor do excelente livro "Vinicius de Moraes: o Poeta da Paixão - uma biografia" nos diz que o poeta foi um homem que viveu para se ultrapassar e para se desmentir. Para se entregar totalmente e fugir, depois, em definitivo. Para jogar, enfim, com as ilusões e com a credulidade, por saber que a vida nada mais é que uma forma encarnada de ficção. Foi, antes de tudo, um apaixonado — e a paixão, sabemos desde os gregos, é o terreno do indomável. Daí porque fazer sua biografia era obra ingrata.

Dele disse Carlos Drummond de Andrade: "Vinicius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural".  "Eu queria ter sido Vinicius de Moraes". Otto Lara Resende assim o definiu: "Manuel Bandeira viveu e morreu com as raízes enterradas no Recife. João Cabral continua ligado à cana-de-açúcar. Drummond nunca deixou de ser mineiro. Vinicius é um poeta em paz com a sua cidade, o Rio. É o único poeta carioca". Mas ele dizia nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".

O que torna Vinicius um grande poeta é a percepção do lado obscuro do homem. E a coragem de enfrentá-lo. Parte, desde o princípio, dos temas fundamentais: o mistério, a paixão e a morte. Quando deixa a poesia em segundo plano para se tornar show-man da MPB, para viver nove casamentos, para atravessar a vida viajando, Vinicius está exercendo, mais que nunca, o poder que Drummond descreve, sem conseguir dissimular sua imensa inveja: "Foi o único de nós que teve a vida de poeta".


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